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(Portugal) Touradas nunca mais: venha a nós a revolução catalã


 
Não duvido que a posição dos deputados da Catalunha tenha uma dupla motivação, além de exaltarem o respeito pelos pobres desgraçados dos touros contra a barbárie institucionalizada, pretenderam afirmar, não sem o gostinho de uma superioridade moral, o muito que separa a Catalunha de Espanha.
Bruno Sena Martins
 

Esta semana o Parlamento da Catalunha decidiu proibir as touradas por 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções. As corridas de touros deixarão de ter lugar na Catalunha a  partir de Janeiro de 2012. A deliberação surge na sequência de uma petição que contou com 180 mil assinaturas. Não sendo inédito (já em 1991 as Ilhas Canárias tinham tomado medida semelhante), este passo poderá ter repercussões importantes: a Monumental de Barcelona deixará de contar com o ritual de mortificação de animais para efeitos de lazer, e, pela importância simbólica da Catalunha no mundo, abre-se um precedente que poderá vir a fazer escola no espaço ibero-latino-americano.

Não duvido que a posição dos deputados da Catalunha tenha uma dupla motivação, além de afirmar o respeito pelos animais contra a barbárie institucionalizada, pretenderam afirmar, não sem o gostinho de uma superioridade moral, o muito que separa a Catalunha da Espanha (para os deputados catalães a Espanha taurina surge nesta votação como metonímia de dois mundos que se tocam, mas não o suficiente para pertenceram ao mesmo Reino).

Da minha parte, gostaria sinceramente que Portugal viesse a ser mais como a Catalunha no que aos touros diz respeito. Em todo o lugar há tradições que merecem ser abjuradas. E sim, aparentemente é possível. Pode bem ser que o o espectáculo da violência taurina na Catalunha resulte de um móbil nacionalista, o que só prova que de quando em quando o nacionalismo pode ser uma coisa boa.

Já agora, há por aí alguma petição que eu possa assinar?

http://aeiou.expresso.pt/venha-a-nos-a-revolucao-catala-e-que-tal-acabar-com-as-touradas=f596796
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A tourada vista por fora
Depois do simbólico protesto em frente à sede do CDS-PP, em Lisboa, a associação Animal rumou no passado sábado, 24 de Julho, até às Caldas para contestar a corrida de touros promovida pelo CDS-PP e mostrar ao partido que “a população e os votantes estão a ver esta vergonhosa tourada do CDS”. Mas a manifestação começou bem antes da reunião dos activistas da Animal, pois ainda durante a manhã, o deputado do Bloco e Esquerda, Heitor de Sousa, distribuiu comunicados aos caldenses, a darem conta do seu apoio à acção. O CDS-PP ficou “surpreendido” com a atitude do BE, e acusa-o de “aproveitamento político”.
Foi em frente à Praça de Touros, por volta das 20h00 (mais de uma hora antes da corrida começar) que a meia centena de activistas da Animal, em silêncio, vestidos de preto, com as mãos pintadas de vermelho (a simbolizar sangue), e com vários cartazes em que apelavam à “Abolição das touradas” e o “Não à cultura sangrenta”. Menos silenciosos foram os comentários dos aficionados que se encontravam no café em frente à Praça de Touros. “É só sangue, é só sangue”, gritavam, com ironia, os populares, enquanto os activistas banhavam com tinta vermelha, a faixa negra com a palavra “vergonha”. Enquanto isso, um grupo de polícias protegia os pacíficos manifestantes de um eventual acto mais agressivo, que nunca se verificou.
Os activistas da Animal não responderam a provocações nem se moveram. Tinham uma missão: demonstrar que “o CDS-PP sujou as suas mãos com sangue”, e que “na altura de votar não esqueceremos o apoio de um partido político a um espectáculo tão polémico e degradante como este”.
“Não se trata de apenas um apoio [à tourada], mas sim de ser o próprio partido a organizá-la. Isso é especial chocante quando sabemos que nos últimos anos, é a primeira vez que acontece esta situação”, afirmou a presidente da Animal, Rita Silva. “O presidente do CDS-PP é aficionado e faz questão que isso seja público. É grave e triste, pois não pode de maneira nenhuma transparecer que é um gosto do partido”, acrescentou a activista, dando a conhecer ainda que os aficionados mataram um porco durante, para antecipar os festejos, ou seja, “um culminar de grande miséria”.
Embora a presidente da Animal frise que a associação é uma “organização apartidária”, a acção de protesto não deixou de ter o apoio de militantes do BE que durante a manhã estiveram na confluência da Praça da Fruta com a Rua das Montras (onde até foram colados folhetos no edifício da junta de freguesia de N. S. do Pópulo) para “dar conta à opinião pública do seu protesto contra a realização da tourada do CDS”. Rita Silva saudou que “haja alguns partidos políticos que queiram também manifestar-se”, mas não deixou de observar de que “é importante que esse apoio não seja apenas por questões políticas”. “Espero que o Bloco de Esquerda tome e continue a tomar medidas sobre a protecção dos animais, mas não seja unicamente por ser contra um partido organizador contrário”, disse.
Já o ex-secretário-geral do CDS-PP, João Almeida, (que deixou o cargo para ser presidente do Belenenses) afirmou, antes da tourada, que ficou “surpreendido” pela tomada de posição do Bloco de Esquerda em relação à manifestação, visto que a única autarquia bloquista do país (Salvaterra de Magos) promove touradas e rodeos. “Movimentos a apoiarem esta acção tudo bem, mas agora o Bloco de Esquerda envolvido no protesto é no mínimo incoerente e hipócrita, pois não se manifesta contra a prática da sua Câmara”, acusou o deputado centrista, reafirmando o “aproveitamento político” dos bloquistas nesta acção.
No decorrer do protesto, foram várias as vezes que se ouviram a carrinha dos anúncios do Circo Chen, que se encontra na cidade. Os animais no circo são outra matéria que a associação contesta. “A Animal é uma organização que defende os direitos dos animais, portanto seja circo ou tourada, ou outra qualquer actividade que se explorem animais, nós estamos contra”, disse Rita Silva. No entanto, “temos que escolher os alvos e as estratégias de trabalho, e para isso, felizmente, há um grupo local que faz manifestos contra os circos, o que a nós como organização nacional, deixa-nos um pouco mais descansados sabendo que existem núcleos de pessoas a fazer este trabalho noutras localidades. Queremos dar ferramentas às pessoas para elas próprias tomarem acções”, advogou.
Por agora, a Animal vai continuar a manifestar-se em todas as grandes Praças de Touros, mas também, segundo adiantou Rita Silva, “estamos a preparar uma iniciativa para apresentar no início da próxima legislatura” sobre a abolição das corridas de touros em Portugal, onde, pelo menos, já contam com o “total apoio” do deputado centrista João Rebelo.
Até Setembro (início da próxima legislatura), “seja com uma pessoa ou com mil iremos continuar a marcar presença, porque não podem pensar que são impunes a esta desgraça. Estamos do lado da razão e a História vai provar isso, assim como já provou com outros movimentos sociais”, rematou a presidente da Animal.
Tânia Marques
http://www.gazetacaldas.com/?p=3265
 

A boa onda: Parlamento francês vai debater proibição de touradas e luta de galos

  
A antiga atriz Brigitte Bardot associou-se ao movimento que pretende a proibição de corridas de touro em França, na sequência da aprovação de uma lei nesse sentido pelo Parlamento regional da Catalunha, Espanha, esta quarta-feira, noticia a agência de notícias AFP. A deputada socialista Geneviève Gaillard e a colega do partido de Direita UMP, Muriel Marland-Millitello, apresentaram em conjunto uma proposta que visa a proibição das corridas de touro e das lutas de galos.Brigitte Bardot, uma acérrima defensora dos direitos dos animais, escreveu ontem ao presidente do grupo parlamentar do UMP, Jean-François Copé, solicitando que se “associe a esta inicitiva das deputadas”. “A França não pode var de um debate parlamentar sobre estas matérias e são já muitos o que esperam que esta proposta de legislação seja debatida no Parlamento”, escreveu a presidente da Fundação Bardot. Assim que se soube da decisão do Parlamento da Catalunha, os franceses que se opõem à realização de touradas saudaram esta “vitória”, considerando-a um “exemplo” a seguir.
http://jn.sapo.pt/blogs/osbichos/archive/2010/07/30/parlamento-franc-234-s-vai-debater-proibi-231-227-o-de-touradas-e-luta-de-galos.aspx
 
 

Portugal: Manifestação junto à Praça de Touros

 

Cerca de meia centena de manifestantes concentrou-se de forma silenciosa junto à praça de touros das Caldas da Rainha em protesto contra a realização de uma tourada .

 

Queremos mostrar ao CDS-PP, e à Juventude Popular, que organizou esta vergonhosa tourada, que nós, a população das Caldas da Rainha e os votantes, estamos a ver esta pouca vergonha e na altura de votar vamos tomar as nossas decisões” disse Rita Silva, presidente da Associação Animal, organizadora da manifestação.

À associação animal juntaram-se a associação Ecológica alternativa – Planeta Azul – e activistas do movimento cívico CREA – Caldas da Rainha pela ética animal.

Não é só grave o apoio de um partido político a um espectáculo tão degradante como é este como organização. Não se trata apenas de apoio. É o próprio partido organizar e isso é chocante. É a primeira vez que acontece e infelizmente está ligado ao CDS-PP”, disse.

Rita Silva salientou ainda que “o partido deve manter-se à frente e moderno e não promovendo um espectáculo degradante como este”.

O protesto conseguiu obter os resultados pretendidos segundo Rita Silva já que assegurou que foi “pacífico, silencioso e sobretudo visual”.

A mensagem de que “o CDS tem as mãos manchadas de sangue” foi transmitida através de cinco jovens com as mãos pintadas de vermelho, estrategicamente localizados atrás de um pano preto com a palavra vergonha pintada a letras vermelhas.

Cartazes e lonas ostentando frases contra a tourada e a tortura de animais levantados acima das cabeças dos restantes manifestantes completaram o protesto silencioso.

 

Carlos Barroso

http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2010/07/29/manif-junto-a-praca-de-touros/

 

O poder de mudar uma tradição

 

A discussão do momento em Espanha mete política, nacionalismo e touros. Triunvirato respeitável que podia muito bem inspirar a narrativa de um filme do realizador Pedro Almodóvar, mas que espelha, no essencial, a força de uma região que preza, acima de tudo, a sua identidade. A Catalunha decidiu matar a "fiesta" e proibir as touradas daqui a dois anos, numa decisão histórica que mobilizou partidários e contestatários de uma actividade (vamos chamar-lhe assim) que vive da exaltação do público assistente e do sofrimento do animal que, mesmo sangrando, ninguém assiste.

Há quem veja nesta afronta do Parlamento da Catalunha um hino à decência, um avanço civilizacional, uma demonstração cabal de que os homens não são bárbaros insensíveis que salivam nas arenas perante a morte de animais que, não sendo frágeis, vivem aprisionados na condição de carne para canhão.

Na resposta, os partidários das touradas, cá como em Espanha, agitam argumentos para defender a causa. E agarram-se sempre a um valor que, não sendo imutável, é tão complexo que dá para tudo. Chama-se ele tradição.

De como o Estado, os cidadãos, os partidos políticos não podem, não devem, beliscar verdades consagradas pelo tempo. De como as touradas, por estarem nos genes de um determinado povo, beneficiam de um estatuto especial que lhes dá o direito de atropelar os espíritos mais impressionáveis.

Nada de mais errado. Fazer valer a bondade das touradas apenas por nelas se ver uma tradição é o mesmo que, por absurdo, defender a educação das crianças pela via do espancamento só porque, antigamente, quando os pais sacavam dos cintos, os pirralhos davam-se ao respeito.

É por isso que a decisão do Parlamento catalão, ainda que eivada de uma forte componente política, é uma monumental pedrada no charco. Porque significa que uma região, uma cultura, uma língua, no fundo, um entendimento colectivo se afirmou pela diferença e não se acabrunhou perante a vontade de uma maioria confortavelmente sentada no cadeirão da História.

Mas não se iludam. Os catalães tiveram a sua vigançazinha. Mas os outros espanhóis continuarão a ter os seus touros.

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1630248&opiniao=Pedro%20Ivo%20Carvalho

 

Após Catalunha, Colômbia vota proibição de touradas

 As touradas, proibidas nessa semana pelo parlamento da Catalunha, Espanha, podem ser banidas também na Colômbia. Isso porque na próxima quarta-feira (4/8), a Corte Constitucional colombiana votará se suspenderá ou não a tradição, levada pelos espanhóis.


Na semana passada a casa votou a pauta, mas houve empate: três votos a favor, três contra e três abstenções. Por isso, a votação será refeita. Dois políticos foram chamados para substituir os magistrados que estão fora do país e, assim, votar novamente a causa. Segundo apuração no jornal espanhol El Mundo, um deles é a favor de manter as touradas. 

Leia mais: 
Espanha: Parlamento catalão proíbe touradas a partir de 2012 

Essa é a segunda vez que a Colômbia discute a realização de touradas. Em novembro de 2005 foi mantida a realização da festa. Em janeiro de 2010, organizações de defesa dos animais de Cali fizeram uma série de protestos pela abolição das touradas. Em algumas cidades colombianas, como Manizales e Cali, as touradas são festas tradicionais e movimentam o turismo internacional, principalmente nos meses de dezembro e janeiro. 

No mundo, apenas oito países permitem a corrida de touros; Portugal, Espanha, França, México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. 

Nesta quarta-feira (28/7), a abolição das corridas de touros na Catalunha foi aprovada pelo Parlamento da Catalunha a partir de uma iniciativa legislativa da Plataforma Prou! para obter a proibição de touradas na região. A votação computou 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções. A comunidade autônoma da Catalunha é agora a segunda região da Espanha com proibição de corridas de touros, após as Ilhas Canárias, em 1991.

http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=5353

 

Repercussões sobre a proibição de touradas na Catalunha

 Olé! Catalunha proíbe tourada a partir de 2012 e abre guerra à tradição
A medida promete agitar os que estão contra, os que concordam e os países europeus com iniciativas semelhantes. O Parlamento de Barcelona aprovou ontem a proposta da Iniciativa Legislativa Popular (ILP) para proibir as corridas de touros na Catalunha. Com 68 votos a favor e 55 contra, a lei deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2012. A região autónoma espanhola põe fim às corridas de touros nas praças catalãs. Depois de aprovada a proposta popular, abre-se assim um precedente quanto à festa taurina e aumenta o abismo que separa a província do restante território espanhol.
 
"É claramente uma jogada política de um governo que não é taurino, mas não respeita os gostos dos outros. É um atentado à liberdade dos que querem sentir a festa dos touros, pelos seus gostos, pela sua aficción", é a análise feita para o i por Rui Bento Vasques, director da Praça de Touros do Campo Pequeno.
 
Os fãs da Monumental de Barcelona têm sensivelmente um ano e meio para aproveitarem a aficción. No final da votação, o presidente da assembleia, José Montilla, disse esperar "moderação e sentido de responsabilidade de toda a gente".
 
A notícia foi celebrada e criticada simultaneamente. Enquanto os populares comemoravam a aprovação do diploma, a presidente do PP na Catalunha, Alicia Sánchez Camacho, assegurou tratar-se de um "dia triste". "Não se pode estar a favor ou contra uma festa dos touros", sublinhou.
 
"A decisão tem muito significado, mesmo numa sociedade que aparentemente possa não ter grande ligação à festa da tourada. Isto faz parte das raízes culturais de Espanha. E cá em Portugal também está muito enraizado. Basta ver que as nove corridas que fizemos esta temporada estiveram completamente lotadas", explica Rui Bento Vasques, acrescentando que a decisão "viola o direito a um espectáculo que quem quer desfruta. Liberdade é isso mesmo".
 
dos desenhos animados A proposta encerra um processo que durou um ano e meio no parlamento catalão. De acordo com Pere Navarro, responsável da Direcção-Geral de Trânsito, a origem é mais profunda: "Trata-se um processo natural de consciencialização cultural contra tudo o que tenha a ver com sofrimento animal, por causa de filmes infantis como o 'Bambi'", analisou ontem. "As coisas têm a sua própria evolução, vão fazendo o seu caminho." A iniciativa partiu dos Populares através da plataforma Prou!, que reuniu mais de 180 mil assinaturas contra os festejos.
 
Brigitte Bardot, uma das actrizes que mais têm lutado pelos direitos dos animais no mundo, considerou a decisão "uma vitória da dignidade sobre a crueldade. A tourada é de sadismo incrível. Já não estamos nos jogos circenses e é necessário pôr fim imediato a esta tortura animal". Bardot acrescentou que a aprovação da lei abre caminho à abolição europeia da "barbárie". "Recorreremos à iniciativa de cidadãos prevista pelo Tratado de Lisboa", sublinhou a actriz.
 
Depois da aprovação na assembleia catalã, a proposta segue para novas instâncias: os que estão a favor das touradas já anunciaram que vão recorrer ao Tribunal Constitucional, com apoio do PP. Já os populares vão continuar a lutar pelos direitos dos animais, já com uma vitória no bolso.
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CATALUNHA
Fim de touradas vai custar 500 milhões aos catalães
por PATRÍCIA VIEGASHoje
 
 
Aprovada no meio de polémica a proibição de corridas de touros a partir de 2012.
 
No meio de muita polémica, com manifestantes a favor e contra as corridas de touros a insultarem-se nas ruas de Barcelona, o Parlamento da Catalunha aprovou ontem a proibição desta prática na comunidade autónoma a partir do dia 1 de Janeiro de 2012. "Abaixo a crueldade", gritavam uns, defensores dos direitos dos animais. "Viva a liberdade", pediam outros, aficionados das corridas.
O fim da Fiesta pode custar às autoridades catalãs até 500 milhões de euros em indemnizações ao sector tauromáquico, o que dá 57 euros por cada catalão, revelou um estudo de Vicente Royuela, professor de Economia da Universidade de Barcelona, realizado a pedido da Plataforma de Promoção de Defesa das Corridas e revelado pelos media espanhóis.
A Iniciativa Legislativa Popular, promovida pela plataforma Prou, que conseguiu reunir um total de 180 mil assinaturas, foi aprovada por 68 votos a favor. Cinquenta e cinco deputados catalães votaram contra e nove optaram pela abstenção. Três socialistas votaram a favor, apesar de o presidente da Generalitat da Catalunha, o socialista José Montilla, se ter manifestado contra.
"Votei contra porque acredito na liberdade e preferia que não houvesse imposição legal. Lamento as pretensões dos que quiseram fazer disto um termómetro da relação Catalunha-Espanha", declarou o antigo ministro da Indústria de Rodríguez Zapatero, apelando à moderação tanto daqueles que estão a favor como dos que estão contra as corridas.
O Governo espanhol fez saber que é desfavorável à proibição, apesar de respeitar a decisão do Parlamento da Catalunha. Fontes do Executivo de Madrid garantiram, à agência Efe, que não é sua intenção generalizar este tipo de proibição a nível nacional e que o assunto nem sequer está na agenda da equipa de Zapatero.
Nas Canárias, as corridas com morte do touro estão já proibidas desde o ano de 1991, à luz da Lei de Protecção dos Animais. Esta baniu também as lutas de cães e o tiro aos pombos e restringiu fortemente as lutas de galos.
O líder do Partido Popular, principal formação da oposição, indicou que vai propor ao Parlamento espanhol que a Fiesta seja declarada Interesse Cultural Geral. Mariano Rajoy pretende que o PSOE "se retracte e diga se acredita ou não na igualdade de todos os cidadãos e na liberdade".
As corridas de touros geram 2,5 mil milhões de euros por ano em volume de negócios e empregam cerca de 40 mil pessoas. Mas, mesmo assim, a crise e a falta de espectadores já estava a afectar fortemente o sector. Catorze milhões de espectadores assistiram a 900 corridas de touros em 2009 (menos 350 do que as realizadas em 2008), segundo os media espanhóis. Na Catalunha houve apenas 16 corridas organizadas em 2007 (menos 21 do que em 2001).
A tauromaquia é uma tradição espanhola que remonta à Idade Média, mas que tem sido fortemente criticada pelos defensores dos direitos animais - que denunciam a sua crueldade. É no século XIX, sobretudo, que a tauromaquia moderna se desenvolve na França e na Espanha. Neste país popularizaram-se figuras como Joselito Belmonte, Manolete, Dominguin, Ordoñez, El Cordobes ou José Tomas.
No caso de Portugal, realizam- -se corridas de touros, mas regra geral o animal não é morto. A excepção é Barrancos, vila raiana do distrito de Beja, onde uma lei de excepção aprovada em 2002 veio permitir que a tradição dos touros continuasse. Não sem antes ter havido polémica na vila, onde há grande proximidade com a cultura espanhola.
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Também em terras lusas é frequente haver manifestações por parte dos que defendem os direitos dos animais, nomeadamente à porta da renovada praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, onde alguns activistas já chegaram a estar seminus para protestar contra aquela prática.
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Aberta excepção para as largadas
Catalunha repudia “fiesta nacional” e proíbe touradas
28.07.2010 - 11:06 Por Nuno Ribeiro
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Parlamento da Catalunha decidiu proibir as touradas a partir de Janeiro de 2012. Por 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções os deputados catalães aboliram as corridas de touros, culminando um processo iniciado em 11 de Novembro de 2008 quando o hemiciclo regional autorizou a tramitação de uma Iniciativa Legislativa Popular sustentada num abaixo-assinado com 180 mil assinaturas.
 
Esta é a primeira vez que uma região da Espanha continental proíbe touradas (Nacho Cubero/Reuters)
 
O“Os problemas da Catalunha já acabaram”, ironizavam no final da votação os defensores das touradas. “Continuaremos às portas das praças de touros porque a proibição só entra em vigor em 2012 e até que seja anulado todo e qualquer mau trato aos animais a Catalunha não será Europa”, anunciavam, por seu lado, os defensores da proibição. Para estes, terminavam quase dois anos de contestação às corridas de touros, depois de, em Abril de 2004, a Câmara de Barcelona ter aprovado uma recomendação pedindo o fim das touradas.
 
No entanto, para os triunfadores a vitória é parcial. A plataforma Prou! ganhou a proibição das touradas mas teve de admitir excepções específicas: as correbous e os bous embolats, largadas de touros muito populares na Catalunha, mantêm-se no calendário dos festejos.
 
Entre os parlamentares que votaram a favor da abolição está a grande maioria dos deputados nacionalistas, à excepção de sete eleitos da Convergência e União que se manifestaram contra e seis que se abstiveram. Também três parlamentares socialistas se juntaram aos abolicionistas, enquanto outros três se abstiveram.
 
Os votos contrários vieram da totalidade dos grupos do Partido Popular (PP), da plataforma Ciudadans e de 31 dos 37 deputados do Partido dos Socialistas da Catalunha.
 
Entre eles, José Montilla, presidente da Generalitat, o Governo regional catalão: “Votei contra porque acredito na liberdade, preferia que não tivesse sido uma imposição legal, pois a continuidade dos touros devia ser uma decisão tranquila dos cidadãos”, afirmou Montilla.
 
Defensores vão recorrer
Apesar da votação, nem tudo está decidido. Os defensores das corridas de touros anunciaram que vão interpor um recurso junto do Tribunal Constitucional.
 
Por outro lado, o PP já tem em agenda, para Setembro, a apresentação de moções nas Cortes espanholas – Parlamento e Senado – nas quais solicita ao Governo socialista de Rodríguez Zapatero que inicie os trâmites para que as corridas de touros sejam reconhecidas pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. E daí, promover a sua manutenção e, portanto, anular as consequências da votação do Parlamento da Catalunha.
 
“Não se podem contrapor questões de identidade à liberdade dos cidadãos”, considerou Mariano Rajoy. O líder dos “populares” espanhóis referia-se ao facto de a proibição das touradas aparecer num contexto que pretende singularizar a Catalunha da prática da denominada “fiesta nacional”, como são apelidadas as corridas de touros em Espanha.
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Saiba mais sobre as touradas
Publicada em 28/07/2010 às 11h51m
Reuters
 
RIO - O Parlamento da Catalunha decidiu em votação, nesta quarta-feira, proibir as touradas em seu território . É a primeira região da Espanha a adotar a medida contra uma prática secular no país.
 
Abaixo, informações sobre a história e a prática das touradas:
 
Prática
 
Estima-se que aproximadamente 250 mil touros são mortos por ano em touradas pelo mundo. Os animais costumam ser feridos pelos toureiros várias vezes antes de morrer. Com a popularidade mais baixa em toda a história, a prática está em declínio, apesar de ainda ocorrer em outros países além da Espanha.
 
As touradas têm certa popularidade em Portugal e no sul da França, e acontecem também em Colômbia, Venezuela, Equador e México. Em alguns países, matar os touros na arena é ilegal.
 
História
 
Sua origem remonta à época medieval, na Espanha. Há registros de touradas no século XII, geralmente em locais abertos e por celebrações da família real ou de vitórias militares. Originalmente, os touros eram enfrentados a cavalo.
 
No século XVIII, Felipe V, no entanto, proibiu a aristocracia de participar da prática ao acreditar que era um mau exemplo para o público.
 
Com a proibição, os plebeus tomaram a prática para si e, como não tinham condições de ter cavalos, passaram a enfrentar os touros em pé e sem armas. Acredita-se que a mudança tenha ocorrido por volta de 1724.
 
Touros
 
Os animais geralmente usados são de linhagens especialmente criadas em ranchos (ganaderías). Os touros Miura, de Sevilha, são os mais procurados, ao terem matado mais toureiros famosos que qualquer outro.
 
Os touros que conseguem sobreviver na arena não costumam ser utilizados novamente. É a execução dos animais com classe por parte dos toureiros principais que levam os fãs da prática às arenas.
 
Arenas
 
No início do século, havia cerca de 600 arenas de touradas na Espanha, algumas, em Madri e Barcelona, com capacidade para 20 mil espectadores. O tamanho não costuma mudar muito, variando apenas em função da altitude, como forma de diminuir o cansaço dos toureiros.
 
A arena Plaza Mexico, na capital mexicana e com capacidade para 55 mil pessoas, é a maior do mundo. A Plaza de Acho, em Lima, é uma das mais antigas, e a Real Maestranza (Sevilha) e a Plaza Monumental, também conhecida como Las Ventas (Madri), são duas das mais prestigiadas.
 
Toureiros
 
Os toureiros, também chamados toureadores e matadores, têm uma equipe (cuadrilla), que consiste em picadores, os assistentes montados que testam com lanças a força do touro num primeiro ato; e banderilleros, que põem dardos coloridos nos animais num segundo ato. O toureiro principal eventualmente mata o touro no ato final.
 
Fontes: Reuters/britannica.com/Humane Society
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Organização Peta elogia proibição de touradas na Catalunha
28 de julho de 2010 • 17h24 • atualizado às 17h41
 
A organização americana em defesa dos animais Peta se declarou nesta quarta-feira "eufórica", depois que o Parlamento da Catalunha proibiu as touradas na comunidade autônoma espanhola.
O grupo, que promove "o tratamento ético dos animais", indicou em uma declaração que "estava claro que a maré tinha mudado desde que foram reunidas 180 mil assinaturas em apoio à proibição" da prática.
"O povo falou: a crueldade com os animais - disfarçada de 'tradição' - não é mais tolerada", continuou a declaração do PETA, sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais.
"Várias cidades em Espanha, França, Portugal, Colômbia, Venezuela e Equador se declararam recentemente opostas às touradas e agora a Catalunha é a segunda região espanhola que as proíbe, depois que as Ilhas Canárias o fizeram em 1991", segundo a organização.
Segundo o grupo, a tourada "é um ato de covardia".
"Frequentemente o touro é gravemente enfraquecido com laxantes, golpes nos rins e desidratação", assegura o Peta.
Na corrida típica, os picadores, "homens montados em cavalos com os olhos cobertos, cravam lanças no lombo e no pescoço do touro debilitando sua capacidade de levantar a cabeça", afirma o comunicado, que acrescenta que, outros, os "bandarilheiros", cravam no lombo do touro "lanças com pontas".
Segundo a organização, "depois que o touro já está enfraquecido pela perda de sangue aparece o matador, que tenta matar o touro, mas, frequentemente, só consegue depois que fere e mutila ainda mais o animal em desvantagem".
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Espanha: Governo indica que não defende proibição de touradas
INTERNACIONAL
2010-07-28visitas (92)comentários (0)
 
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Lusa
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O Governo espanhol, liderado por José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou hoje que é partidário do conviver em vez de proibir, em referência à decisão do parlamento catalão de proibir as corridas de touros na região.
 
Fontes do Governo disseram à agência noticiosa espanhola EFE que respeitam a decisão do parlamento da Catalunha, mas insistiram que o Governo não defende uma proibição deste tipo a nível nacional e que o assunto não está previsto na sua agenda política.
 
A Catalunha, no nordeste de Espanha, tornou-se hoje na s
 
egunda comunidade autónoma a proibir as corridas de touros, depois de as Canárias já o terem feito há quase 20 anos.
 
A proibição entrará em vigor em 2012 e foi aprovada com 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções.
 
Os nacionalistas catalães e a esquerda, incluindo alguns deputados socialistas, votaram a favor.
 
O partido socialista, no poder, mostrou-se contrário à proibição, mas deu liberdade de voto aos seus deputados.
 
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
 

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